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sábado, 2 de abril de 2011

EXISTE CONSCIÊNCIA DEPOIS DA MORTE?

Muitas pessoas não crêem, mas, existe consciência depois da morte. As almas das pessoas falecidas estão conscientes e podem se reconhecer. Essas verdades são evidentes através de ricos ensinamentos que o Senhor Jesus trouxe sobre a vida após a morte.

1º) A parábola do rico e de Lázaro. Vamos estudar Lucas 16:19-25. Somos apresentados a dois indivíduos que levavam vidas completamente diferentes: um homem riquíssimo e um mendigo doente chamado Lázaro que dependia do homem rico para se alimentar (vv. 19-21). Ambos os homens da história morreram, o rico foi para o inferno e o mendigo foi para o Céu (vv. 22-23). Em seguida, podemos constatar o sofrimento que existe no inferno. O rico, desesperado, pede alívio para o seu tormento, mas Abraão o exorta dizendo que Lázaro sofreu em sua vida, mas que agora, no Céu, estava recebendo o consolo, mas que ele (o rico) apesar de todos os bens que possuía, iria sofrer no inferno (vv. 23-25). Não há dúvida que o rico da história de Lázaro o reconheceu e também a Abraão, porque os chamou pelo nome, de dentro do inferno.

2º) No episódio da transfiguração de Jesus. Sugerimos a leitura de Lucas 9:29-31 (comparem com Mt 17:1-8; Mc 9:2-8). No momento em que Jesus foi transfigurado, Moisés e Elias, séculos depois de suas mortes, conversaram com Jesus (vv. 30-31). O que ocorre é que um deles foi trasladado e o outro tinha sido morto e enterrado cerca de 1500 anos antes (Dt 34:5-6; 2Rs 2:11; Mt 17:3). Mesmo depois de estarem “mortos” todo esse tempo, Moisés e Elias continuavam vivos, conscientes e com capacidade de conversar com Jesus. Neste episódio da transfiguração de Jesus, os discípulos reconheceram a Moisés e Elias em seus corpos eternos e não precisaram ser apresentados a eles formalmente, embora jamais os tivessem encontrado nem visto seus retratos.

3º) No episódio narrado em Lucas 20:27-40 (comparem com Mc 12:18-27; Mt 22:23-33): Os saduceus (que não acreditavam na ressurreição: At 23:8), vieram testar o Senhor Jesus. O questionamento que lhe fizeram foi: Um homem casado e que não tinha filhos faleceu. Um de seus seis irmãos solteiros se casou com a viúva para poder gerar descendentes (de acordo com a Lei de Moisés: Dt 25:5-10), mas morreu também sem deixar filhos. Um após o outro, os demais irmãos também se casaram com esta mulher e morreram sem deixar descendência. No fim, a mulher também morreu. Os saduceus perguntaram a Jesus, então, se na ressurreição geral dos mortos, no fim dos tempos, de quem essa mulher deverá ser esposa, pois na vida terrena ela foi esposa dos sete irmãos sucessivamente (vv. 27 a 33).

Com a resposta de Cristo, podemos aprender muitas lições preciosas. A situação levantada pelos saduceus nesse episódio era irrelevante. O Senhor ensinou que não há casamento na vida futura. Os santos ressuscitados serão como os anjos, isto é, não haverá mais procriação (vv. 33-36). Em seguida Jesus demonstrou que no episódio da sarça ardente (Ex 3:6), Deus reconhecia a existência de um relacionamento presente e contínuo com Abraão, Isaque e Jacó, embora os patriarcas dos hebreus tivessem “morrido” séculos antes de Moisés (v. 37). Neste episódio de Êxodo, Deus afirmou “Eu sou” e não “Eu fui” o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. A ênfase estava no tempo presente e não no passado. Deus falou de sua ligação com os patriarcas mortos como se estando vivos naquela época, ou seja, a eternidade destas relações não havia cessado com a morte deles. Não há dúvida que esses homens de Deus estavam e estão ainda vivos e ativos com Deus no Céu. E que declaração poderosa de Jesus quanto à morte! Deus não é Deus de mortos, Ele é Deus dos vivos. Para Deus todas as pessoas estão vivas (v. 38). Cristo repreendeu os saduceus dizendo que eles caíram em um grande erro pelo fato de não conhecerem as Escrituras e nem o poder de Deus (Mt 22:29; Mc 12:24).

Ainda quanto à questão se os mortos podem se reconhecer, o escritor Rex Humbard afirmou em seu livro “Onde estão os mortos?”:

“Muita gente pergunta se os santos se reconhecem mutuamente no Paraíso. Davi acreditava que iria reconhecer seu filho na vida futura (2 Sm 12:23). Jesus esperava decididamente que o bom ladrão viesse a reconhecê-lo (Lc 23:43), e Paulo não teria ficado tão ansioso para estar com Cristo se duvidasse de ser capaz de reconhecê-lo (Filipenses 1:21-24)” (p. 62).

Alguns acreditam que podemos afirmar também que as almas dos justos podem se comunicar com Deus, pois os mártires clamam por Ele de onde estão, no Céu (Ap 6:9-11). Quanto à lembrança do mal que se fez aqui na Terra, há poucas passagens bíblicas a respeito. Na história de Lázaro e do homem rico, certamente o rico se sentiu atormentado e arrependido. Ele tinha as lembranças daqueles que tinha deixado na Terra (Lc 16:27-28).

Seria ilógico diante da justiça de Deus acreditar que a alma não se lembra do que ocorreu nesta vida, pois como poderíamos ser julgados com justiça por Deus, no juízo final, de comportamentos dos quais não nos lembrássemos (Ec 11:9; Ap 20:11-13).

quarta-feira, 30 de março de 2011

AS ALMAS DOS INCRÉDULOS NÃO SERÃO ANIQUILADAS

Muitos acreditam que a alma dos ímpios é destruída após a morte (aniquilacionismo), ou seja, os salvos ressuscitarão para a vida eterna com Deus e os não salvos ressuscitarão para serem exterminados. Vamos ver algumas evidências bíblicas que afirmam que a alma não é aniquilada após a morte. Em 2º Tessalonicenses 1:9, o apóstolo Paulo se refere àqueles que não obedeceram ao evangelho de Cristo: “Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder”.

Basearemos os dois primeiros tópicos deste estudo nas considerações de Norman Geisler e Thomaz Howe, dois grandes defensores da fé cristã, no livro “Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e ‘Contradições’ da Bíblia”:

Referente a interpretação de 2Ts 1:9:

“Nesse versículo ‘destruição’ não significa aniquilação, pois em caso contrário não seria uma destruição ‘eterna’. A aniquilação se dá num instante, e pronto, terminou. Se alguém sofre uma destruição eterna, então tem de ter uma existência eterna também (...) Assim também, quando é dito que o ímpio vai para a ‘perdição’ (2 Pe 3:7) ou quando Judas é chamado de ‘filho da perdição’ (Jo 17:12), isso não significa que eles sejam aniquilados. A palavra ‘perdição’ (apoleia) significa apenas perecer ou ir à ruína.” (p. 499).

Evidências bíblicas em favor da consciência eterna dos perdidos:

Primeira: “o rico que morreu e foi para o inferno tinha plena consciência de seu tormento (Lc 16:22-28), e não há indicação alguma no texto de que esse tormento um dia iria terminar”;

Segunda: “Jesus falou repetidamente que, para as pessoas no inferno, ‘haverá choro e ranger de dentes’ (Mt 8:12; 22:13; 24:51; 25:30), o que indica que elas estarão lá conscientes”;

Terceira: “a Bíblia diz que o inferno tem a mesma duração que o céu, ou seja, é ‘eterno’ (Mt 25:41)";

Quarta: “o fato de o castigo ser eterno indica que as pessoas também são eternas. Não se pode sofrer o castigo, a menos que a pessoa exista, para ser punida (2 Ts 1:9)”;

Quinta: “a besta e o falso profeta serão lançados vivos dentro do lago de fogo quando começar o milênio (Ap 19:20), e ainda estarão lá, conscientes e vivos, depois de mil anos (Ap 20:10)”;

Sexta: “as Escrituras afirmam que o diabo, a besta e o falso profeta ‘serão atormentados de dia e de noite, pelos séculos dos séculos’ (Ap 20:10). Mas não há como ser atormentado pelos séculos dos séculos sem estar consciente pelos séculos dos séculos”;

Sétima: “Jesus repetidamente referiu-se ao inferno como um lugar onde o fogo não se apaga (Mc 9:48), onde os próprios corpos dos ímpios nunca morrerão (cf. Lc 12:4-5). Mas não faria sentido algum haver chamas eternas, se os corpos não tivessem alma, que é necessária para a pessoa sofrer o tormento”;

Oitava: “a mesma palavra usada para o verbo ‘perecer’, a respeito do ímpio, no Antigo Testamento (abad) é empregada também a respeito da morte do justo (Is 57:1; Mq 7:2). A mesma palavra é usada para descrever coisas que simplesmente tenham sido perdidas, mas depois encontradas (Dt 22:3), o que prova que ‘perdido’ no texto em questão (2 Ts 1:9) não significa deixar de existir. Assim, se ’perecer’ significasse ‘sofrer uma aniquilação total’, então o salvo seria aniquilado também. Mas sabemos que isso não acontece”;

Nona: “seria contra a própria natureza dos seres humanos a sua aniquilação, já que eles são feitos à imagem e semelhança de Deus, o qual é eterno (Gn 1:27). Para Deus, aniquilar a sua imagem no homem seria atacar o reflexo dele mesmo”;

Décima: “a aniquilação seria algo que diminuiria tanto o amor de Deus como a natureza do ser humano como uma criatura moralmente livre. Seria como se Deus dissesse ao homem: ‘Vou permitir que você seja livre somente se você fizer o que eu digo! Senão, acabarei de uma vez com a sua própria liberdade e com a sua existência!’. Seria como um pai que dissesse ao filho que queria que ele se tornasse médico e, quando o filho decidisse ser guarda florestal, o pai o matasse! O sofrimento eterno é um eterno testemunho da liberdade e da dignidade do homem, mesmo daquele que não se arrependeu” (pp. 500-501).

No artigo “Os exterminadores de almas”, o Pr. Airton Evangelista da Costa” afirmou:

“(...) Não deve prevalecer a idéia de que os ímpios serão exterminados. Deus não ressuscitará os ímpios para exterminá-los em seguida (Ap 20.5). Agiria assim para que morram ‘conscientes’ da punição? De maneira alguma (...) Reviver para morrer, sair da sepultura para, em seguida, ser exterminado – sinceramente, se trata de um pensamento que colide frontalmente com a Palavra. A ressurreição do corpo é para que viva; não para que morra. Não fosse assim, não haveria razão para ressuscitar os que já se acham mortos. Além disso, a tese do extermínio dos ímpios é incompatível com a doutrina dos diferentes graus de castigo, conforme ensina a Bíblia. Os exterminadores dizem que a pena será uniforme para todos os ímpios, isto é, a eliminação sumária será aplicada a todos, indistintamente. Mas a Bíblia nos ensina que haverá diferentes graus de castigo (Mt 23.14; Mc 12.40; Lc 12.46-48; 20:47; Hb 10.29)” (http://www.palavradaverdade.com/).

terça-feira, 29 de março de 2011

A NOVA CRIAÇÃO

“O Senhor me livrará também de toda a obra maligna, e me levará salvo para o seu reino celestial. A ele, glória pelos séculos dos séculos. Amém” (2Tm 4:18).

Somos herdeiros com Cristo da vida eterna. Aqueles que estão em Cristo não são apenas novas criaturas, mas fazem parte de uma nova criação, uma nova era que já iniciou com a morte e a ressurreição de Cristo. O apóstolo Paulo afirmou que Cristo morreu e ressuscitou para ser o primeiro da ressurreição dos mortos quando Ele voltar (1Co 15:20-27) e que a nossa pátria está nos céus, de onde aguardamos a Cristo, que transformará os nossos corpos semelhantes ao dEle (Fp 3:20-21).

Em 2 Coríntios 5:1-8, Paulo diz que se o nosso corpo físico se desfizer, nós temos a promessa de Deus do corpo ressurreto e eterno e que apesar das cargas e sofrimentos que levamos por estarmos neste corpo ainda, não queremos ser apenas desencarnados, mas receber o corpo imortal, e que foi Deus que nos preparou para isso nos dando o Espírito Santo (vv. 1 a 5).

Sendo assim, como será o nosso corpo imortal? (1Co 15:35). Na passagem de 1º Coríntios 15:35-58, o apóstolo Paulo nos revela ensinamentos essenciais a respeito da ressurreição geral dos mortos e da natureza do corpo que receberemos então. Charles C. Ryrie em seus comentários na Bíblia Anotada, observa em relação aos versículos 35 ao 41:

“Aqui Paulo trata de dois erros comuns quanto à natureza do corpo ressurreto: (1) o de que este é o mesmo corpo que foi colocado no túmulo, apenas ‘reconstituído’; e (2) o de que este novo corpo não tem qualquer relação com o ‘original’. Paulo explica aqui que é o corpo que Deus escolheu dar aos ressurretos (v. 38), que é relacionado ao primeiro (v. 36), mas é diferente em sua essência (vv. 39-41)” (p. 1453).

Nosso corpo imortal será como o de Cristo glorificado (Fp 3:20-21; 1Jo 3:2; Sl 17:15). Mas, as qualidades do corpo ressuscitado não são discutidas amplamente nas Escrituras, exceto por algumas insinuações de como era Jesus e os seus aparecimentos após a ressurreição. Norman Geisler trouxe alguns esclarecimentos sobre este assunto em matéria da Revista Defesa da Fé (abril/2004), intitulada “Eu creio da ressurreição da carne”:

“(...) Isto está de acordo com o que o apóstolo ensina: ‘Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual’ (1Co 15:44) (...) O próprio Jesus disse que o corpo no qual ressuscitou era de ‘carne e ossos’ (Lc 24:39). Falando sobre a ressurreição de Cristo, Pedro insistiu neste assunto ao pregar que a ‘carne dele (Jesus) não viu a corrupção’ (At 2:31) (...) Além disso, Jesus se alimentou pelo menos quatro vezes após sua ressurreição (Lc 24:30; 24:42-43; Jo 21:12-13). Ele também mostrou as cicatrizes de sua crucificação quando desafiou Tomé, dizendo: ‘Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente’ (Jo 20:7)” (p. 19).

Após a ressurreição, Cristo tinha a forma visível e podia ser tocado, mas mesmo assim foi capaz de passar através de madeira sólida sem ser modificado (Mt 28:9; Lc 24:39; Jo 20:26-27). Maria Madalena e os discípulos o reconheceram de um relance (Jo 22:16,18,20). Através destas passagens que temos visto podemos ter um vislumbre de como este corpo imortal será e quais serão suas qualidades. Nosso corpo material é mortal, corruptível, sujeito a morrer, enquanto que, o corpo ressurreto será incorruptível, imortal, imperecível (Jo 14:17; 1Co 15:53-54). Os defeitos desta vida não existirão na ressurreição.

A criação será restaurada para que possa ser purgada de todos os efeitos do pecado (2Pe 3:7,10,12) e nos será apresentada a nova criação. A cidade celestial será a morada de todos os santos (Hb 12:22-24), a noiva de Cristo (Ap 21:9-10), e o lugar que Cristo está preparando para o Seu povo (Jo 14:1-3). É importante lembrar, entretanto, que o Céu (presença pessoal de Deus) para onde os cristãos vão ao morrer, não é o Céu definitivo da eternidade onde todos estarão com Ele. Herbert Lockyer, em seu livro “Apocalipse: o drama dos séculos”, salienta esta diferença:

“’Céu’ em 21:1 não significa a presença imediata de Deus, mas o céus aéreos – isto é, tudo o que se encontra entre a terra e o próprio Deus. Era o céu antigo que Satanás operava, portanto, não era limpo à vista de Deus. Um novo céu deve ser criado e tão diferente que o sol, a lua, as estrelas e propriedades atmosféricas já não sejam necessários. Finalmente haverá um alvorecer sem o pôr-do-sol. As Escrituras mencionam três céus: 1) O terceiro céu, ou o céu real, é o lugar para o qual Paulo foi levado – a presença imediata de Deus. É a região da glória divina e também o lugar onde habitam os anjos e os santos (2 Coríntios 12:1-5). 2) O segundo céu, ou o céu astronômico, é o lugar do sol, da lua e das estrelas (Jó 38:31-33). 3) O primeiro céu, ou o céu atmosférico, é o ar que nos rodeia. Temos referência a Satanás como príncipe desta região (Efésios 2:2). Uma vez que o primeiro céu (habitação de Deus), é eterno, não é, pois, sujeito a nenhuma mudança. ‘Um novo céu’ implica a transformação dos céus aéreos e astronômicos (...)” (p. 212).

domingo, 27 de março de 2011

O "ENTERRO" DA MORTE

“Porque, assim como em Adão todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo.” (1Co 15:21).

Um conceito difundido pela nossa sociedade afirma que “para tudo na vida há um jeito. Só não há jeito para a morte”. Esta é uma visão muito limitada e absolutamente sem fé. Na verdade a morte já não existe mais devido ao poder de Cristo. Devido à Sua morte e ressurreição.


Sabemos que a condenação à morte para toda a humanidade resultou de um ato de desobediência de um só homem, Adão (Gn 2:15-17; 3:1-19; Rm 5:12; 6:23; Tg 1:15). Contudo, Deus Pai estabeleceu mesmo antes do pecado ter atingido a raça humana (Gn 3:14-15; Hb 9:26; 2Tm 1:9; Ap 13:8) que a justificação de nossos pecados e a vida eterna viriam por intermédio de um ato de obediência de um só homem, o Deus-homem: Jesus Cristo (Rm 5:12-19; 6:23; 8:38-39; Ef 2:1-10; Cl 2:11-15),

Logo ao comerem do fruto proibido, Adão e Eva perceberam um senso forte de culpa ao perceberem sua nudez e prepararam cintas com folhas de figueira na tentativa de esconder-se de Deus (Gn 3:7). Logo adiante (v. 21), entretanto, Deus providenciou vestimentas de peles para os cobrir. Com este acontecimento percebemos que...

“(...) a vestimenta de peles era a provisão divina para restaurar a comunhão entre Adão e Eva e seu Criador, e implica o sacrifício de um animal para suprir a pele necessária” (Charles Caldwell Ryrie em “A Bíblia Anotada”).

Notamos que por nossos próprios esforços não conseguiríamos ter comunhão com Deus. O preço que o homem teria que pagar pelo seu pecado era a própria morte (Gn 3:19; Rm 5:12). Por isso Deus estabeleceu que a expiação (libertação da culpa) dos pecados seria efetuada através de uma morte substitutiva. Em vez de cobrar a morte do homem, Deus instituiu os sacrifícios de animais, através do derramamento do sangue (que contém e significa vida). Deus desde o começo já estava ensinando ao homem que precisaria do sacrifício de Cristo (suficiente e único) para restaurar a nossa comunhão com Ele (Lv 17:11; comparem com Gn 9:4; Lv 17:14).

O sacrifício de Cristo, dando Sua própria vida, derramando o Seu sangue para libertar dos pecados todos aqueles que crêem nEle, foi único e suficiente diante de Deus (Hb 9:22-26). Nenhum ser humano seria adequado para se sacrificar a Deus para salvar a humanidade. Somente um ser humano perfeito e que ao mesmo tempo tivesse a natureza divina poderia realizar uma obra suficiente e completa, pois ele deveria não apenas ser absolutamente sem pecado, mas deveria demonstrar o amor incondicional de Deus, revelar a vontade do Pai para com todos os homens e possuir o poder divino para vencer a morte, reinar sobre tudo e julgar a todos (Is 9:6; Jo 10:30-31; 2Co 5:19; Rm 9:5; 1Tm 1:17; 1Pe 1:2; 1Jo 5:2,20).

É o Espírito Santo habitando em cada cristão, após este ter recebido a Cristo como Senhor e Salvador, que promove a regeneração interior (1Co 6:9-11; Tt 3:4-7), a transformação de pessoas perdidas em pecados em pessoas que buscam se santificar (Rm 15:16; 2Ts 2:13), ou seja, se separar para Deus, buscando cada vez mais se afastar do domínio da natureza pecaminosa que existe em cada ser humano, tentando se aproximar cada vez mais do Criador, diminuindo, assim, o abismo que o pecado deixou entre Deus e a raça humana (Hb 12:14). Cristo destruiu o poder da morte e nos mostrou como é a vida eterna com Deus e como devemos proceder para obtê-la (2Tm 1:8-10).

Ora, sabemos que todos os homens devem morrer (Rm 5:12; Hb 9:27). Mas, se Jesus destruiu a morte, por que ainda morremos? O apóstolo Paulo afirmou que Cristo “não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho” (2Tm 1:10b). Norman Geisler e Thomaz Howe trouxeram algumas considerações sobre esta aparente contradição (“Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e ‘Contradições’ da Bíblia”):

“Em primeiro lugar, Cristo não destruiu a morte física imediatamente, mas pela sua morte e ressurreição ela será finalmente abolida. Cristo foi o primeiro a experimentar a ressurreição num corpo imortal (1Co 15:20) – o resto da humanidade vai experimentar isso mais tarde, na sua segunda vinda (1Co 15:50-56). Segundo, Cristo destruiu a morte oficialmente quando ele mesmo a derrotou, pela ressurreição. Entretanto, a morte física não estará de fato completamente abolida até que ele volte, quando ‘se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória’ (1Co 15:54). Paulo acrescenta, ainda: ‘O último inimigo a ser destruído é a morte’ (1Co 15:26)” (p. 509).


A Bíblia afirma que Deus finalmente destruirá a morte definitivamente no fim dos tempos (Ap 20:14a). Cristo é a vida e quem crer nEle, não morrerá espiritualmente e mesmo que morra fisicamente, continuará vivo (Jo 11:25-26). Nós, cristãos, vivemos nesta vida para Cristo e quando morrermos fisicamente automaticamente estaremos vivos com Ele no Céu. Jesus Cristo é Senhor dos vivos e dos mortos (Rm 14:7-9; comparem com Lc 20:38). A morte para quem crê em Cristo não é o fim, na verdade é uma continuação da sua vida para toda a eternidade.

domingo, 20 de março de 2011

O DESTINO DOS SALVOS EM CRISTO

O que ocorre realmente com o nosso espírito quando morremos? Ele vai direto para o Céu com o Senhor? Ele fica vagando por um período de tempo e se comunica com o mundo dos vivos? Ele precisa reencarnar inúmeras vezes até atingir a perfeição? Ou ele passa um tempo no purgatório?

Primeiramente, não existe contato das almas de pessoas falecidas com o mundo dos vivos. Em Isaías 26:13-14, temos a declaração de que governantes que haviam oprimido a Israel não poderiam mais fazê-lo, pois haviam morrido e não poderiam mais voltar a viver.

A Bíblia ainda afirma que o ser humano e os animais vieram do pó e para lá voltarão e que para o homem é importante zelar por um bom comportamento aqui na Terra, pois seu espírito será chamado por Deus e não retornará mais para consertar alguma coisa errada (Ec 3:19-22).

Em Hebreus temos uma importante passagem que afirma que aos homens foi ordenado morrer apenas uma vez e depois disto o juízo final os aguarda (Hb 9:27-28). Na passagem do rico e Lázaro também podemos observar a realidade de que os mortos não podem retornam ao mundo dos vivos (Lc 16:19-31).

Vamos ponderar sobre as manifestações espirituais que ocorrem nas reuniões de centros espíritas e nas religiões africanas (candomblé, umbanda, macumba). Ora, sabemos que os espíritos existentes são: Deus e os anjos, os espíritos dos falecidos (que não podem retornar) e os espíritos maus (o diabo e os demônios).

Certamente nem Deus e seus anjos bons estão envolvidos nessas práticas, pois são proibidas pelo próprio Deus (Lv 19:31; Dt 18:9-14; Is 38:18,19; 2Tm 4:3-4). A Bíblia jamais relata a existência dos espíritos protetores da natureza (gnomus, fadas e duendes) como a Nova Era apregoa. Pelo contrário, a natureza manifesta a glória de Deus (Sl 19:1; Rm 1:20).

O que nos resta são o diabo e seus anjos caídos, os demônios, os quais são denominados na Bíblia de acusadores, mentirosos e enganadores (Jo 8:44; 16:8-11; Ef 2:2; 6:11). Eles são os responsáveis por estas manifestações espirituais manipuladoras. Devemos ter discernimento espiritual para não sermos iludidos por suas artimanhas (2Co 11:14-15; Gl 1:6-9; Cl 2:18-19; 1Tm 4:1-5; 2Tm 4:3-5; 1Jo 4:1-6).

Em segundo lugar, ao contrário do que muitas seitas e religiões apregoam, não existe uma segunda oportunidade de salvação após a morte. Não existe reencarnação, que seriam sucessivos renascimentos para buscar o aperfeiçoamento e pagar por erros cometidos na vida anterior. Nesta mesma linha de raciocínio, podemos afirmar também que não existe o purgatório, um lugar de transição destinado à purificação dos pecados cometidos em vida para que o indivíduo se torne apto a entrar no Céu.


No artigo “Reencarnação e sofrimento”, o Pr. Airton Evangelista da Costa afirmou:

“O cristianismo oferece uma alternativa melhor, pois basta crer que Jesus Cristo é o Filho de Deus, que morreu e ressuscitou ao terceiro dia, que é Senhor e Salvador (...) O ladrão na cruz não precisou morrer muitas mortes e viver muitas vidas. Crer foi o suficiente. Apesar do terrível sofrimento da crucifixão, morreu na certeza da paz celestial (...) Como a teoria da reencarnação explica o sofrimento do primeiro casal, se não em decorrência do pecado? Adão e Eva não haviam passado pela experiência de vidas anteriores. Para aperfeiçoamento? Não, não foi. Está mais do que claro que seus sofrimentos, estabelecidos por Deus, não foram em decorrência de desvios em vidas anteriores.” (http://www.palavradaverdade.com/).

Norman Geisler e Thomaz Howe, dois grandes defensores da fé cristã, no livro “Manual Popular de Dúvidas, Enigmas e ‘Contradições’ da Bíblia” (pp. 483-484), trouxeram inúmeras evidências bíblicas que sustentam que os cristãos, após a morte vão direto para o Céu:

1ª) “Jesus afirmou que o seu espírito estava indo diretamente para o céu, quando disse: ‘Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito’ (Lc 23:46)”;

2ª) “o ladrão arrependido na cruz (Lc 23:39-43). Devemos lembrar que Paraíso é definido como sendo ‘o terceiro céu’ (2 Co 12:2,4)”;

3ª) “Quando os santos do Antigo Testamento deixaram esta vida, foram diretamente para o céu. Deus tomou a Enoque para si (Gn 5:24; Hb 11:5) e Elias foi tomado ‘ao céu’ quando partiu (2 Rs 2:1)”;

4ª) “o ‘seio de Abraão’ (Lc 16:23) é uma descrição do céu. Em nenhum ponto ele é descrito como sendo o inferno. É o lugar para onde Abraão foi, que é o ‘reino dos céus’ (Mt 8:11)”;

5ª) “Moisés e Elias, no monte da transfiguração, vieram do céu (Mt 17:3)” e

6ª) “os santos do A.T. tiveram de esperar a ressurreição de Cristo para que seus corpos fossem ressuscitados (1 Co 15:20; Mt 27:53), mas suas almas foram diretamente para o céu. Cristo foi o Cordeiro morto ‘desde a fundação do mundo’ (Ap 13:8), e eles para lá foram pelos méritos que Deus sabia que Cristo cumpriria.”

domingo, 13 de março de 2011

"A VIDA ANTES DA MORTE" OU "A VIDA ANTES DA VIDA"?

Nós cristãos, uma vez que possuímos a certeza da vida eterna, não devemos nos acomodar diante desta certeza e deixar de exercer o papel que nos está proposto por Deus, mesmo sabendo que morreremos um dia.

Não devemos agir como muitos não crentes que adotam uma conduta fatalista em face de sua morte iminente, como a conhecida frase “comamos e bebamos porque amanhã morreremos” (1Co 15:32). Em outras palavras, segundo esta crença, devemos aproveitar para esbanjar em nossos prazeres aqui nesta vida, pois, podemos morrer a qualquer momento e tudo chegará ao fim.

Sabemos que Deus é o dono da vida e conforme a Sua soberana vontade Ele a dá ou a tira. Ele mesmo pode permitir uma enfermidade ou mesmo curá-la (Dt 32:39). Deus não é somente o dono da vida, Ele é dono de tudo, tudo pertence a Deus, as pessoas, o mundo, a vida, a morte, o presente e o futuro (1Co 3:21-23).

Por isso, uma atitude que devemos tomar enquanto vivemos nesta vida é a de dependermos de Deus. A nossa suficiência deve estar em Deus (Ef 6:10). Não devemos nos apegar aos bens materiais, pois devemos aprender a viver como será no Céu. Nós não levaremos nada material conosco na hora da morte (Lc 12:16-21; 1Tm 6:15; Hb 13:5-6).

O apóstolo Paulo afirmou que enquanto vivia, vivia para Cristo, mas se morresse, seria incomparavelmente melhor, por estar na presença pessoal de Cristo. Viver aqui na Terra, entretanto, trazia frutos para o seu ministério, dado por Deus, por isso preferia permanecer ainda vivo (Fp 1:20-24).


Assim, aprendemos que vivemos uma espécie de “santo conflito” aqui na Terra. Sabemos que uma vida eterna na presença de Deus nos aguarda quando morrermos, mas, enquanto isso, devemos nos dedicar ao chamado dEle, ao Seu propósito para a nossa vida terrena. Deus tem um plano para cada um de nós, cristãos (Pv 16:4; 19:21; Ec 3:1; At 13:36).

Cada um possui pelo menos um dom espiritual para ser desenvolvido na Igreja de Cristo, para a edificação da mesma e para a glória do próprio Deus (1Co 1:4-8; 7:7; 1Pe 4:7-11). Essa é a carreira cristã que nos está proposta, até chegarmos à perfeição no Céu. Paulo trouxe o exemplo de comportamento cristão enquanto se aguarda a chegada ao Céu: Não devemos permanecer presos a esta vida passageira (Fp 3:12-14; Cl 3:2; cf. Jo 12:25-26; 1Jo 2:15-17).


Rick Warren comentou como a perspectiva da vida eterna com Deus muda os nossos valores, principalmente diante de tantas dificuldades que enfrentamos. Vamos ver alguns trechos do livro “Uma vida com propósitos”:

“Quando você compreender plenamente que há mais na vida que apenas o aqui-e-agora e perceber que a vida é apenas uma preparação para a eternidade, você começará a viver de forma diferente (...) Subitamente, muitas atividades, metas e até mesmo problemas que pareciam importantes se mostrarão banais, insignificantes e indignos de sua atenção (...) Suas prioridades são reorganizadas (...)” (p. 34). “(...) Assim como os nove meses que você passou no útero de sua mãe não tinham um fim em si, mas eram uma preparação para a vida, também a vida é uma preparação para o que vem a seguir (...)” (p. 36). “(...) O fato de a terra não ser nosso lar definitivo explica por que, como seguidores de Jesus, experimentamos dificuldades, aflições e rejeições neste mundo. Isso também explica por que algumas promessas de Deus parecem não ter sido cumpridas, algumas orações parecem não-respondidas e algumas situações parecem injustas. Esse não é o final da história (...) A terra não é nosso lar definitivo; fomos criados para algo muito melhor (...) Você terá momentos felizes por aqui, mas nada comparado ao que Deus tem planejado para você (...) O seu tempo sobre a terra não é toda a história de sua vida. Você tem de esperar chegar no céu para conhecer o resto dos capítulos (...) Não terão passado dois segundos de sua entrada no céu sem que você clame: ‘Por que eu fui dar tanta importância a coisas tão temporárias? Onde eu estava com a cabeça? Por que gastei tanto tempo, energia e preocupação no que não iria durar?’ (...) Quando a vida fica difícil e você é subjugado pelas dúvidas, ou quando fica imaginando se viver para Cristo vale o esforço, lembre-se de que você ainda não chegou em casa. Na morte, você não vai abandonar sua casa – você vai para casa.” (pp. 45-47).

Em resumo, devemos avaliar as nossas escolhas diárias. O que tem sido prioridade para a nossa vida ultimamente. A casa? O carro? O emprego? Um instrumento musical? O computador? A faculdade? A conta bancária ou um outro bem material qualquer?


Nada pode ocupar o lugar que é destinado a Deus em nossa vida. Nada. Avareza é idolatria (Ef 5:5; Cl 3:5). Buscar a Ele e o Seu Reino deve ser o objetivo máximo de nossas vidas. Ele deve ser o nosso primeiro amor (Mt 22:37-38; Ap 2:4-5). Devemos obedecer a Ele acima de qualquer autoridade humana (At 5:29).

Mas, e o nosso sustento diário? O nosso Pai Celeste amoroso e provedor nos acrescentará dia-a-dia e suprirá cada uma daquelas necessidades que realmente estão de acordo com a Sua vontade (Mt 6:6:19-33; 7:7-11; Fp 4:11-13,19; 1Jo 5:14-15).

domingo, 6 de março de 2011

A ORIGEM DA MORTE

“No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado: porque tu és pó e ao pó tornarás." (Gn 3:19).

No início da criação, Deus e o homem tinham um relacionamento muito próximo (Gn 3:8). O ser humano podia contemplar a essência de Deus face-a-face. Após a desobediência do homem, porém, houve a separação: Deus, o Criador, agora invisível, de um lado (Jo 1:18; 4:24; 1Tm 1:17) e o homem de outro lado, condenado à morte por causa do pecado e à separação eterna de Deus devido à corrupção da natureza humana (Gn 3:10-13; Sl 14.1-3; Mt 15.19-20), juntamente com toda a criação (Gn 3:17-18; Jr 12:4; Rm 8:19-22).

Todos os seres humanos, a partir deste fato, vivem numa dimensão material, separados da essência de Deus, pois, devido à sua natureza extremamente pecaminosa, não suportariam contemplá-la, pois morreriam (Ex 33:17-23). Após a “queda” do homem, Deus se manifestou em todo o restante do Antigo Testamento através de várias formas, mas nunca em Sua essência.

O pecado, portanto, entrou no mundo através de um só homem e com isso a morte foi transmitida para todos os homens, pois a recompensa pelo pecado é a morte (Gn 2:15-17; 3:1-19; Rm 5:12; 6:23; 1Tm 5:6; Tg 1:15).


Muitos podem questionar por que o homem foi condenado à morte apenas por ter comido de um fruto proibido, mas essa questão é mais complexa. Charles C. Ryrie, na Bíblia Anotada, comenta sobre a desobediência dos nossos primeiros pais. Vejamos alguns trechos:

“A pergunta (feita pela serpente: Gn 3:1) foi formulada de modo a sugerir que Deus não fora justo, já que restringira o acesso ao fruto de uma das árvores (...) As três áreas do auto-engano de Eva estavam nas mesmas categorias de tentação encontradas em 1 Jo 2.16. Eva foi enganada; Adão comeu do fruto conscientemente (cf. 1Tm 2:14). O pecado do primeiro casal foi mais do que simplesmente comer um fruto proibido; incluiu desobedecer à palavra revelada de Deus, crer na mentira de Satanás, e colocar suas vontades acima da vontade de Deus” (pp. 10-11; citação minha entre parênteses).

Muitas pessoas atualmente estão confusas em relação à origem da morte pelo simples fato de que não acreditam na narrativa bíblica sobre Adão e Eva. Muitos “estudiosos” acreditam que eles são apenas um mito, uma lenda. Certamente essa é uma estratégia diabólica, anti-cristã, pois, se as pessoas deixarem de acreditar que Adão e Eva foram reais e desobedeceram a Deus, como vão acreditar que podem ser salvas do pecado e da morte pelo sacrifício de Jesus Cristo na cruz?

É importante salientar que Deus expulsou os nossos primeiros pais do jardim do Éden, não apenas como um castigo, mas também, para que eles não caíssem no erro catastrófico de, após terem comido do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal e terem morrido espiritualmente e sido condenados à morte física devido à sua desobediência (Gn 2:15-17), também comerem do fruto da árvore da vida e condenarem toda a raça humana a viver eternamente num estado de morte (Gn 3:22-24).

Sendo assim, os dias de cada ser humano estão contados e determinados (Jó 14:1-5; Sl 139:16; Pv 16:4; Ec 3:1-2) e quando morremos, nosso corpo (parte material) retrocede ao estado de pó e sua parte imaterial (alma e espírito ou apenas alma ou apenas espírito, dependendo da doutrina), no caso dos cristãos, volta para Deus (Ec 12:1-7).

Mas, ao contrário do que muitos podem imaginar, Deus não tem prazer na morte de ninguém, nem mesmo das pessoas perversas:

“Acaso tenho eu prazer na morte do perverso? Diz o SENHOR Deus; não desejo eu antes que ele se converta dos seus caminhos, e viva? Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o SENHOR Deus. Portanto convertei-vos e vivei.” (Ez 18:23,32; comparem com Jó 34:10-15; 1Tm 2:3-4; 2Pe 3:9).

O próprio inferno não foi preparado inicialmente para as pessoas perversas, mas para o diabo e os seus anjos (Mt 25:41).

Todas as pessoas, sejam elas cristãs ou não, na verdade foram criadas para serem eternas. Deus jamais criou o ser humano para o destruir. Afinal, Ele jamais destruiria alguém que contenha a Sua imagem e semelhança (Gn 1:26-27). Ele mesmo viu que tudo o que tinha criado era muito bom (Gn 1:31).

As almas dos seres humanos foram criadas para serem eternas. Mesmo após a morte, cada ser humano tem seu destino eterno, seja com Deus ou não (Jo 5:24-29; Rm 2:5-16; 2Ts 1:9).

A eternidade faz parte da natureza humana. Por todos estes motivos, ninguém que esteja física, emocional e espiritualmente saudável deseja a própria morte.

O pastor Rick Warren, no seu livro “Uma vida com propósitos”, expressou sabiamente esta questão (cf. Ec 3:11):

“A Bíblia diz que Deus tem (...) plantado a eternidade no coração humano. Você tem o impulso inato de ansiar pela imortalidade. Isso ocorre porque Deus o projetou à sua imagem, para viver eternamente. Embora saibamos que com o tempo todos morreremos, a morte sempre parece anormal e injusta. A razão pela qual sentimos que deveríamos viver para sempre é que Deus condicionou nossa mente com esse desejo!” (p. 33).

domingo, 27 de fevereiro de 2011

TESTEMUNHOS EM MOMENTOS DE LUTO


Precisamos buscar o conforto e o esclarecimento necessários não apenas a respeito de nossa própria morte, mas também sobre a morte de nossos entes queridos, amigos e familiares. Neste estudo, vamos observar relatos de cristãos que passaram por difíceis experiências com a morte de entes queridos.

O primeiro relato é do pastor Edison Queiroz. Em seu livro “O vaso quebrado”, ele nos conta sua experiência diante da morte de suas duas filhas gêmeas que tinham acabado de nascer:

“Eu me lembro sempre das minhas meninas gêmeas, que morreram alguns dias depois do parto. Para a Rutinha e para mim foi um quebrantar de Deus tremendo. As meninas estavam no hospital, aquela cena horrível, as criancinhas recém-nascidas dentro daquela caixinha com uma luzinha para icterícia, um carbono sobre os olhos para não estragar a visão, aquela respiração horrível, tanto é que, quando eu olhei, eu disse: ‘Senhor Deus, leve!’. Temos a tendência de ver o diabo nas coisas, e eu me lembro que uma pessoa da família veio ver os bebês e saiu chorando e dizendo: ‘Mas que diabo, também!’ Eu retruquei: ‘Não diga isso, quem é Satanás para pôr a mão nas minhas filhas? Ele não tem esse direito! É Deus’. ‘Como, é Deus?’. ‘É Deus’. As duas morreram, e foi Deus. O dia em que eu achar que o diabo tem poder para tirar a vida, é melhor eu adorar o diabo que a Deus. Foi Deus, que é o dono da vida, que controla tudo. O diabo quer matar, roubar e destruir, mas ele precisa primeiro pedir permissão a Deus, não vai fazendo tudo que quer e bem entende. Ali foi Deus quebrantando a mim e a Rutinha, preparando-nos para a obra missionária.” (pp. 25-26).

Melvin Tinker, bispo anglicano, em seu livro “Por que coisas ruins acontecem a pessoas boas?” relata a história de Mary Craig, que descreveu o seu sofrimento pelo fato de dois de seus quatro filhos terem nascido com anormalidades, um com síndrome de Hohler e o outro com a síndrome de Down:

“Em vista da evidência, não creio que qualquer sofrimento seja em última análise inútil ou absurdo, embora muitas vezes tenhamos dificuldade para continuar convencendo-nos disto. A princípio reagimos com incredulidade, ira e desespero. Todavia, o valor do sofrimento não está na dor sofrida, mas no que o sofredor faz com ela. É no sofrimento que descobrimos as coisas que realmente importam; é no sofrimento que descobrimos a nós mesmos” (p. 28).

Outro relato importante deste último livro traz uma perspectiva semelhante com a que acabamos de ver. O falecido professor Sir Norman Anderson viu o seu filho, Hugo, morrer de câncer aos 21 anos depois de uma brilhante carreira na Universidade de Cambridge. Tinker relata o testemunho de Anderson:

“As pessoas sempre costumavam perguntar-me por que foi permitido que um rapaz tão promissor em com tamanho entusiasmo pela vida morresse tão jovem. A única resposta para isto, ambos sentimos, é que não nos cabe saber. A pergunta vital a ser feita a Deus nesses casos não é ‘Por que permitistes isso?’ (para o que, penso eu, Ele raramente se digna a dar uma resposta), mas ‘O que queres ensinar-me por meio disto?’” (pp. 28-29).

Tinker, mais adiante, nos traz mais um relato comovente e edificante:

“Assim também, quando as coisas são tiradas de nós, é que temos de exercer fé. É então que revelamos nossa verdadeira condição espiritual e, como diz Pedro [1 Pe 4:12-19], temos de agir bem, ou seja, reagir de maneira cristã quando surgem problemas. Um exemplo comovente disto foi dado pelo pastor californiano John McCarthur numa conferência que assisti há alguns anos. Ele nos contou sobre alguns amigos seus, um ministro e sua família, que trabalhavam numa pequena igreja em Utah, a fim que ganhar mórmons para Cristo. Certo dia essa família telefonou para McCarthur e disse que gostaria de visitar a igreja dele e matricular suas duas lindas filhas adolescentes na faculdade bíblica. Levariam dois estudantes de intercâmbio italianos também, porque queriam que se convertessem. O pai, a mãe, o filho, as duas adolescentes e os dois italianos entraram então na caminhonete e chegaram no sábado. Estavam entusiasmados com a perspectiva do domingo porque queriam ver uma grande congregação – que no caso da igreja de McCarthur era de alguns milhares, com um grande coral e tudo. Eles chegaram e tiveram um maravilhoso período de confraternização e bênção. Foi pura alegria. Mas, na volta para casa, por alguma razão inexplicável, o pai entrou depressa demais num cruzamento, depois do sinal vermelho, exatamente quando um enorme caminhão descia uma ladeira. O caminhão bateu no lado da caminhonete a toda velocidade. As duas meninas foram atiradas pela janela de trás do carro contra o meio-fio e morreram instantaneamente. O filho e os dois italianos foram levados para a U.T.I. com vários ferimentos internos graves. O carro quase foi cortado ao meio e incendiou-se, mas os pais sobreviveram milagrosamente. O que começara como um dia de extrema alegria terminara num holocausto. No momento em que McCarthur chegou ao hospital, foi ver o pai e lhe disse: ‘John, no que está pensando?’. Em meio às lágrimas, este respondeu: ‘Fico pensando que talvez seja um sonho e vou acordar, mas sei que não é verdade’. E continuou: ‘Meu segundo pensamento é: Deus não é mesmo bom? Ele poupou esses dois rapazes italianos não-salvos e levou minhas duas meninas cristãs’. Ele sabia que suas filhas estavam na presença de Deus; esse homem levava a Bíblia a sério – a sua fé era real. A seguir, porém, ele disse: ‘Queria que minhas filhas conhecessem uma igreja grande, mas não pensava que seria uma tão grande assim. Queria que elas ouvissem um grande coro, mas não pensava que seria dos anjos.’” (pp. 112-113).

No site da “Obra Missionária Chamada da Meia Noite” (Mt 25:6), temos um artigo chamado ”Luto – Consolo”, o qual traz várias considerações importantes a respeito do luto e da conduta que devemos ter diante dessa realidade:

“Pergunta: "Há um ano morreu nosso querido pai, que era um filho de Deus, com mais de 70 anos. Nossa mãe é também uma filha de Deus. Ambos eram muito ligados entre si. Desde que meu pai faleceu, após longa enfermidade, a nossa mãe não tem conseguido superar isso. Primeiro ela procurou pôr a culpa nos médicos, depois em si mesma. Ela continua indo ao cemitério quase diariamente e lá passa longo tempo ao lado da sepultura do pai. Por este e outros motivos estamos cada vez mais preocupados com ela. Como podemos ajudá-la? Resposta: Quanto mais feliz foi ou é um matrimônio, tanto mais dolorosa é a despedida, a separação! Isto também vale para pais que perderam um filho amado e para filhos que têm de entregar seu pai ou sua mãe. Tristeza não é pecado. O Senhor Jesus também chorou junto à sepultura do seu amigo Lázaro (Jo 11.35-36). Luto e tristeza fazem parte da última despedida, pois não somos robôs insensíveis, mas pessoas que têm uma alma. Da superação de uma perda tão grande faz parte, quase sempre, o questionamento de muitas coisas. Mas, em meio à maior dor, os filhos de Deus deveriam ter em mente o seguinte: Em última análise, ninguém morre de alguma enfermidade, de acidente ou por qualquer outra razão, mas pela vontade de Deus. Em outras palavras: somente o Senhor determina quando uma vida chega ao fim, pois está escrito: "Nas tuas mãos, estão os meus dias" (Sl 31.15). Por favor, leia também Salmo 139.16, Salmo 90.5 e Eclesiastes 3.1-8. Nós – e também nossos entes queridos – não estamos entregues à própria sorte, mas estamos nas mãos do Deus vivo! Na verdade, desde a queda no pecado, a morte faz parte da vida, mas somente o Senhor determina a hora do fim da nossa existência. Em seguida, seria importante chamar a atenção da sua mãe para 2 Coríntios 1.3ss. Deus é um Deus de ‘toda consolação’, que consola os Seus, mas Ele somente pode fazê-lo se o quisermos! Por este motivo, pessoas enlutadas sempre deveriam ter em mente não confundir o luto por um ente querido com auto-compaixão, pois a auto-compaixão sempre é destrutiva e não tem promessa de consolo. A disposição de receber o consolo de Deus se manifesta no fato de aceitarmos os caminhos de Deus, mesmo que não os entendamos! Deus não espera que reprimamos as nossas lágrimas, Ele espera que digamos: ‘Senhor, o teu caminho é santo (conf. Sl 77.14), e por isso me submeto à Tua vontade e ao Teu desígnio’. Quem faz isto sinceramente se aquieta interiormente e recebe o consolo e a ajuda de Deus! Aquele, porém, que se rebela contra a vontade de Deus e, consciente ou inconscientemente, tenta ultrapassar os limites entre os vivos e os mortos, tendo ‘contato’ com algum falecido após a sua morte (por exemplo, falando com ele), não somente se torna culpado diante de Deus, que estabeleceu estes limites, mas prejudica seriamente a si mesmo (depressões, influência oculta, etc.). Que o Senhor lhe dê muita graça para falar com sua mãe com muita sabedoria e amor – e que ela se volte para o ‘Deus de toda consolação’ e seja consolada ricamente! Este desejo sincero se estende, de todo o coração, aos leitores desta revista que estão enlutados!” (Elsbeth Vetsch, fevereiro de 1999; http://www.chamada.com.br/).

Devemos ter a certeza de os nossos entes queridos que morreram em Cristo estão no melhor lugar do universo e aguardarmos o dia feliz quando os veremos novamente.

O Espírito Santo é o nosso Consolador (Jo 14:16-17,25-26; 16:7). Ele habita em cada um de nós, cristãos (Rm 5:5), nos capacita (At 1:5-8), nos fortalece (Gl 5:5,16-18). O Espírito de Deus pode nos dar direcionamento (At 13:1-4; Gl 5:16-18) e nos ensinar (Is 40:13; Jo 14:25-27).

Recordemos as palavras do apóstolo Paulo (1Co 15:55-58) que nos exortam a trabalhar com perseverança e dedicação na obra de Deus, pois a morte foi derrotada por Jesus. Ele está vivo. Paulo declarou (vv. 55-58):


“Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Graças a Deus que nos dá a vitória pr intermédio de nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, sede firmes, inabaláveis, e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão.”


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Sites para complemento do nosso estudo:

domingo, 20 de fevereiro de 2011

LIDANDO COM A MORTE À LUZ DA BÍBLIA

INTRODUÇÃO

“Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança” (1Ts 4:13).

Nesta passagem bíblica somos convocados pela Palavra de Deus a buscar conhecimento em relação àqueles que já morreram. Quando o apóstolo Paulo se referiu “aos que dormem”, ele estava mencionando a morte física, pois quando morremos, o nosso corpo permanece deitado, semelhantemente ao corpo de alguém que está dormindo. Paulo não estava ensinando que as almas dos mortos estão em estado de sono (comparem com Jo 11:11; At 7:59-60).

É vital, portanto, que nós, como cristãos, não tenhamos dúvidas sobre o que é a morte e o que ocorre depois dela, mas, sim, busquemos o esclarecimento necessário para este assunto na Palavra de Deus para obtermos nela o nosso próprio conforto e daqueles que nos cercam, bem como para termos respostas adequadas para aqueles que não conhecem a Cristo ainda (Cl 4:5-6; 1Pe 3:13-17), pois eles não possuem o consolo e a esperança que temos por conhecermos o evangelho.

Praticamente todas as pessoas acreditam que existe vida depois da morte. A morte é um dos assuntos que mais chama a atenção das pessoas. Cada religião ou seita tem a sua própria concepção do que é a morte. Os espíritas e budistas, entre outros, acreditam que as almas podem reencarnar.

Muitos acreditam que a alma após a morte fica dormindo enquanto aguarda o juízo final. Cada civilização, cada cultura encara a morte de formas diferentes e algumas possuem rituais fúnebres com a finalidade de minimizarem a dor da separação e “encaminhar” as almas das pessoas falecidas no “além túmulo”. Os egípcios, por exemplo, aperfeiçoaram a técnica da mumificação acreditando que a qualidade da vida depois da morte dependia da preservação do corpo.

A respeito deste assunto, o escritor Rex Humbard, em seu livro “Onde estão os mortos?” declarou:

“Quem quiser fazer um estudo comparado de religiões não precisa comprar livros, é só comprar uma passagem. É só viajar por todos esses cantos da terra onde ainda não entrou a luz do Salvador. É onde vamos encontrar o verdadeiro desespero. Quando os sem Deus enfrentam a crise última da morte, é pavoroso o salto que eles dão dentro da escuridão. Só a vinda de Cristo é que nos traz segurança. As palavras muito sábias do Livro dos Salmos, dizem: ‘Os lugares tenebrosos da Terra estão cheios de moradas de violência’ (Salmo 74:20)” (p. 17).

As artes, o cinema, as novelas, os livros, entre outros, retratam a morte constantemente. Todos os dias temos acesso a inúmeras notícias de morte através da mídia. Milhares de pessoas morrem diariamente em todo o mundo, seja por causa natural, doenças, vícios, crimes, acidentes, catástrofes naturais e suicídios.

A ciência não consegue encontrar respostas para desvendar a morte e o que ocorre depois dela, mas busca pelo menos oferecer uma melhor qualidade de vida para nós. Até aí tudo bem (vejam Rm 6:12-13,19; 12:1-2; 1Ts 5:23), o problema é que nessa busca, a ciência expressa uma ambição de prolongar a vida dos seres humanos e até mesmo “dar um jeito” na morte, criando, por exemplo, as câmaras criogênicas, isto é, um compartimento no qual é possível “congelar” um ser humano após a morte para que, após algum tempo, com a ciência muito mais avançada, se possa ressuscitar(!) esse indivíduo e dar-lhe uma vida com mais qualidade. Sabemos, porém, que Deus é o dono da vida, Ele a dá e a tira de acordo com a Sua soberana vontade (Dt 32:39; Jo 10:17-18).

Mas, e a respeito da nossa própria morte, será que temos medo dela? Muitos têm medo de apenas tocar neste assunto. Muitos vivem grande parte de suas vidas evitando esse assunto e muitas vezes sabem pouco sobre ele e quando a morte de alguém, de alguma forma os atinge, seja no trabalho, na igreja ou na família, ficam atônitos, desesperados, sem respostas adequadas e entram em estado de profunda tristeza e muitas vezes se revoltam com Deus e até se afastam dEle.

Não queremos aqui, de maneira alguma, banalizar ou negligenciar a profunda dor e a tristeza pelas quais passamos com a “perda” de alguém querido, mesmo porque o relacionamento amoroso entre amigos e parentes é mandamento de Deus (Lv 19:18; Jo 15:12) e até mesmo Jesus chorou quando se aproximou do túmulo do seu amigo amado, Lázaro, falecido há poucos dias, comovido com a tristeza daquela situação entre os familiares (Jo 11:1-35).

Rick Warren comentou a importância de não negligenciar este assunto. Vamos ver um breve trecho do livro “Uma vida com propósitos”:

"(...) O único momento em que as pessoas pensam a respeito da eternidade é nos enterros, e mesmo nessas ocasiões são pensamentos freqüentemente sentimentais e superficiais, baseados na ignorância. Você pode sentir que é mórbido pensar a respeito da morte, mas na verdade não é saudável viver negando-a, sem a considerar inevitável. Somente um tolo passaria pela vida despreparado para o que todos sabemos que acabará acontecendo. Você pode pensar mais a respeito da eternidade e não menos (...)” (p. 35).